Alice Portugal concede entrevista exclusiva Tribuna - Alice Portugal
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Alice Portugal concede entrevista exclusiva Tribuna

Notícia Postada em 18/07/2017 as 14:23:07 hs
por: Ascom
 
 
A líder do PCdoB na Câmara, deputada Alice Portugal, concedeu entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia, veiculada nesta segunda-feira (17/07). Na pauta, eleições 2018, o momento atual da política do Brasil, as reformas da Previdência e Trabalhista, a condenação do ex-presidente Lula, entre outros temas. Sobre a disputa pelo governo do Estado no ano que vem, Alice disse à Tribuna que descarta a possibilidade de o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), vencer o governador Rui Costa (PT). “Ele não ganha o governo do Estado pelo desempenho do governador Rui”, afirmou. Em relação à votação sobre a admissibilidade de investigação contra o presidente Temer, ela disse que acredita na derrota do golpista no Plenário da Câmara. 
 
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
 
*Por Osvaldo Lyra
Colaborou: Romulo Faro
 
Tribuna da Bahia - Como a senhora está vendo o momento atual da política do Brasil? Muito tenso ainda?
 
Alice Portugal - Muito tenso. Talvez um dos momentos mais difíceis da história do Brasil, com uma sucessão de fatos que impactam a política e, sem dúvida nenhuma, as práticas eleitorais que estão no epicentro dessa movimentação toda. É de fato um dos momentos mais difíceis, e ainda sem uma saída encontrada.
 
Tribuna - Como a senhora viu a vitória do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara?
 
Alice - Houve a substituição de 12 deputados e depois houve substituição de alguns que já haviam sido substituídos. Então na verdade foram 19 substituições. Eles não querem, de jeito nenhum, perder um governo que foi construído sem bases legítimas. O governo vive uma crise permanente, pelas cobranças daqueles que lhe dão apoio, que corroboram com a manutenção disso tudo. Por isso eles fizeram as substituições e tiveram essa vitória, mas é uma vitória que não se sustenta no plenário, porque no plenário não tem como substituir deputados. Cada voto é um voto. Evidentemente eles estão trabalhando com trocas e acordos. A tarefa é difícil, mas nesse intervalo de tempo, porque a votação está marcada para 2 de agosto, mostrará ao povo brasileiro quem é quem em relação à blindagem de um presidente que não tem condições de governar, por todo o conjunto de denúncias e pela crise que o Brasil vive.
 
Tribuna - A senhora acredita que o corporativismo que impera no Congresso Nacional vai beneficiar o atual presidente?
 
Alice - O corporativismo é grande e sem dúvida está sendo trabalhando para esse benefício, mas nós esperamos que a população passe a cobrar com mais intensidade e efetividade. A partir da votação na CCJ, em cada município, em cada aeroporto, em cada local público onde haja visitação dos deputados, a população deve cobrar como eles votarão. Porque uma coisa é certa: a população tem se manifestado, temos hoje o menor índice de popularidade da história de um presidente. E por isso mesmo, o povo deve se dirigir ao deputado que circula em sua região, em sua cidade, no sentido de cobrar dele uma posição, e evidentemente de fora para dentro construirmos a inversão desse setor corporativo que trabalha pela manutenção de Michel Temer. Esse tempo é um tempo necessário para que o Brasil venha digerir essa reunião da CCJ, onde esse placar demonstra que tudo foi construído na base da troca de deputados e não na situação do que é correto. A denúncia é muito densa acerca da culpa do presidente Temer, cuja investigação precisa ser liberada para o Supremo julgar.
 
Tribuna - Até quando a senhora credita que o presidente terá fôlego para se manter no poder?
 
Alice - Tem os fatores interno e externo. Internamente, tem os conchavos. Essa base que foi construída no impeachment fraudulento, que se realimenta com a estrutura da união deles. Porque se a população gritar alto, nós teremos condições. Se não for na primeira denúncia, da segunda ele não escapa. São três denúncias que o procurador encaminhará ao todo à Câmara. Eu espero que ele já caia na primeira. Caso não caia, nós vamos insistir na segunda, porque de fato ele não tem condições morais e não tem apoio social para continuar no governo.
 
Tribuna - Como a senhora viu a postura do TSE e o resultado do julgamento da chapa Dilma Temer?
 
Alice - Nós estamos verificando o lavar de mãos quando se trata de resolver impasses nascidos no Poder Legislativo. Então, eu acredito que o TSE poderia ter consumado. A presidenta Dilma já não exercia o cargo. Eles foram eleitos na mesma chapa, e obviamente poderia ter consumado. O tribunal não quis fazer. Foi uma atitude, na minha opinião, de isentar-se de um conflito com o Poder Legislativo, o que infelizmente vem em prejuízo da nação, de ter que suportar Temer por mais tempo.
 
 Tribuna - A senhora acredita que a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima fragiliza o governo Temer?
 
Alice - Com certeza. Principalmente agora, depois do vazamento da delação do doleiro Lúcio Funaro, que confirma que Geddel, que hoje está em casa, recebia malas de dinheiro. O doleiro disse à PF que entregava malas de dinheiro ao ex-ministro. E o ex-ministro, apesar das lágrimas, foi citado também na delação do empresário que o presidente recebeu fora da agenda e na calada da noite no subsolo do Palácio do Jaburu, com nome falso. Joesley Batista disse ao presidente que Geddel era o emissário. Está confirmado, infelizmente, porque eu não me regozijo dessa circunstância, que o ex-ministro Geddel estava totalmente relacionado com essas movimentações do presidente da República, e que depois tudo foi passado para Rodrigo Rocha Loures. A bancada do governo quis culpar Loures, de maneira isolada. Mas obviamente que tanto o ex-ministro Geddel quanto o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures trabalhavam em conjunto com o presidente da República.
 
Tribuna - Tem algum fundamento a informação de que existe uma articulação para que Aldo Rebelo seja candidato a vice-presidente numa eventual chapa tampão com o democrata Rodrigo Maia?
 
Alice - Do ponto de vista do PCdoB, nenhum fundamento. O PCdoB se reuniu em São Paulo, e eu, como líder do partido, participei de todo o debate e reafirmei nossa posição, que é de oposição integral ao governo Temer, e a compreensão de que é possível o país, se mobilizando, com seguir a votação das emendas das eleições diretas, mesmo antecipando as eleições, para que a gente devolva o valo do voto popular, e garanta que o povo brasileiro tenha de volta a democracia. O próprio ex-ministro Aldo tem se pronunciado sobre suas convicções e divergências. Ele se mantém filiado ao partido, mas não tem o aval do PCdoB para essa movimentação, de relação com qualquer governo indireto que possa se formar. De maneira, muito clara, isso não é uma decisão do PCdoB, não tem aval do PCdoB. Estamos sabendo pela imprensa.
 
Tribuna - As últimas delações da OAS, Odebrecht e da JBS igualam Dilma, Lula, Temer e Aécio?
 
Alice - Não. De jeito nenhum. Não tem nem termo de comparação. Nós sabemos que os governos de Dilma e Lula eram governos de coalizão. Coalizão de centro esquerda, e que evidentemente tinha um cabo de guerra tensionado permanentemente no seu interior. Viveu-se no Brasil por 13 anos o principal período de conquistas e garantias de direitos ao povo, especialmente para os mais pobres. Viu-se o Brasil sair do mapa da fome, expandir suas escolas técnicas, melhorar em infraestrutura etc. Mas era um governo de coalizão, que tinha seus limites objetivos. O que o senhor Aécio Neves fez foi contestar eleições limpas e provocar esse terremoto político sem olhar para a sua retaguarda. Na verdade, nada se tem contra Dilma eticamente. Ela foi cassada injustamente, sem ter cometido nenhum crime. Sobre Lula, há uma denúncia frágil, sem provas. O próprio procurador Deltan Dallagnol diz que a denúncia foi feita por convicções. É um absurdo o retrato de hoje ser o senhor Aécio no Senado, o senhor Temer no Planalto, o senhor Geddel em casa, Rocha Loures em casa e Lula condenado. É uma injustiça profunda.
 
Tribuna - A descoberta desses casos de corrupção pela população coloca Executivo e Legislativo na berlinda?
 
Alice - Sem dúvida. Houve a criminalização da política como um todo. Puna-se os corruptos, puna-se os corruptores, mas não se generalize contra a política. A política tem que ser vista como ferramenta de transformação na vida das pessoas. Precisamos reintroduzir esse conceito na vida pública brasileira, para que as pessoas saibam separar quem é corrupto de quem não é. No mundo inteiro onde há dinheiro há corrupção. Para mim, é necessário fazer os devidos esclarecimentos de todos os casos, mas estimular principalmente a juventude a continuar participando e defendendo a política com letras maiúsculas, como mecanismo de participação popular, onde as pessoas possam confiar em quem elas elegem como seus representantes. Lamentavelmente, o consórcio golpista em primeiro lugar envenenou a população contra a política e contra todos os políticos. Mas a história vai diferenciando as imagens dos personagens com o passar do tempo.
 
Tribuna - Como a senhora viu a condenação e o pedido de prisão contra o ex-presidente Lula?
 
Alice – Isso é um absurdo. Realmente não há provas contra Lula. Digo isso não apenas porque apoiei os governos de Lula, mas pelo fato concreto, não há uma prova material. Não há um crime que se possa dizer que Lula cometeu. Não há um documento que afirme que aquele apartamento foi concretizado para ser de uso de Lula ou de um familiar dele. O que está acontecendo, com mala de dinheiro correndo pela cidade de São Paulo... Chega a ser algo ridículo o tipo de acusação que está sendo feita para condenar em primeira instância o ex-presidente Lula, que tanto luta e tantos benefícios trouxe para os brasileiros. Não há prova material. É uma injustiça profunda. O mundo inteiro olha para o Brasil e vê que há uma perseguição política evidente. O dia escolhido para condená-lo foi exatamente o dia em que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara julgava o pedido de investigação por corrupção do atual presidente da República. É uma coisa que salta aos olhos.
 
Tribuna - Como a senhora viu a reforma trabalhista já sancionada pelo presidente?
 
Alice - Temer dia a dia vai entregando a mercadoria suja a setores do mercado. A reforma trabalhista é uma aberração. Ela rasga a CLT, ela arrebenta direitos consolidados há 60 anos, transforma a Justiça do Trabalho num mero cartório, dificulta o acesso do trabalhador à justiça, institui o trabalho intermitente, faz com que o negociado valha mais do que o legislado, enfraquecendo o poder dos trabalhadores, rompe as normas da Organização Internacional do Trabalho, que protestou contra a reforma trabalhista no Brasil. é uma aberração. Essa reforma vai desorganizar o trabalho no Brasil, e levaram os trabalhadores e as empresas a uma profunda insegurança jurídica. Teremos que rever essa reforma trabalhista, sob pena de prejudicar uma enorme massa de trabalhadores, especialmente os mais pobres, e prejudicar também o mercado de trabalho como um todo.
 
Tribuna - A reforma da Previdência vai continuar paralisada na Câmara?
 
Alice - Está paralisada, mas eles estão ameaçando votar. É muito importante dizer que a permanência de Temer, se por ventura este Congresso aprovar que ele não seja investigado, ele procurará entregar a segunda mercadoria suja dessa agenda, que é a reforma da Previdência. Vale dizer que essa agenda não foi a agenda votada em 2014 pelo povo. É uma agenda que veio com a substituição da presidenta eleita. Ele não tinha o direito de implantar uma agenda à qual o povo disse não nas eleições. Mas está fazendo isso, e ele vai insistir na agenda. A queda de Temer paralisa a questão da corrupção, necessária para interromper o ciclo dessas reformas ultraliberais dessa agenda perversa.
 
Tribuna - Preocupa a aproximação do prazo final para fazer mudanças na legislação eleitoral para o pleito do próximo ano? O que vai sair da colcha de retalhos que está sendo tecida no Congresso?
 
Alice - Felizmente se conseguiu, mesmo com toda essa confusão, duas comissões. Uma para analisar a PEC que veio do Senado e outra na Câmara, que trabalha a legislação e o sistema eleitoral. Acredito que algumas coisas facilitam a melhoria do sistema eleitoral. O primeiro é a garantia de que não haverá campanha com financiamento privado. Será formado um fundo público. Isso já é consenso. Segundo, é preciso constituir um mecanismo mais eficaz no aspecto da estrutura da eleição no campo das coligações e da cláusula de desempenho. Parece que se chega à conclusão de que ela será gradual. Alguns consensos já se formam. Ainda não há consenso sobre o método da eleição no aspecto relacionado à forma de se eleger os representantes. Esse mecanismo do processo eleitoral está em profundo debate, e eu acredito que nas duas primeiras semanas de agosto isso venha a ser tratado. Estamos tratando de muita coisa importante ao mesmo tempo.
 
Tribuna - Como a senhora avalia o governo de Rui Costa? Ele chegará fortalecido às eleições de 2018?
 
Alice - Eu avalio o governo de Rui Costa com nota 10. Ele tem demonstrado capacidade de trabalho, capacidade de articulação com os aliados, respeito àqueles que não têm relação política com ele, respeito aos municípios e às lideranças que têm opiniões diferenciadas. Nem tudo é ruim na política. Nós achamos que ele tem plenas condições de ganhar de maneira bastante folgada as eleições de 2018. Ele contará integralmente com meu apoio neste sentido. Eu acho que é um trabalho de grande porte. As obras em Salvador chamam a atenção do Brasil. A organização financeira do estado também é elogiável, mesmo com toda a dificuldade que a crise econômica impõe. Eu confio plenamente na vitória do governador Rui Costa.
 
Tribuna - O PCdoB vai brigar por espaço na chapa majoritária?
 
Alice - Sim. O PCdoB tem essa decisão de colocar em pauta no nosso campo a possibilidade de participar na chapa majoritária, quer seja para o Executivo, quer seja para o Senado. Isso será discutido junto com os demais presidentes de partidos. Isso já está decidido e pautado, para a decisão de que como será nossa participação. Mas a nossa decisão é trabalhar em aliança com esse campo que tem sido muito benéfico para a Bahia, e colocar na mesa essa possibilidade, de o PCdoB ter essa oportunidade de participar da chapa majoritária.
 
Tribuna - O nome da senhora ganha fôlego para participar da chapa?
 
Alice - Isso acabou sendo citado e, evidentemente, nos dá um estímulo. Mas nós não temos nenhuma definição de nomes para esse tipo de investida. Meu nome, o nome de Daniel Almeida, o nome do ex-prefeito de Juazeiro, Isaac, são nomes citados pelos partidos. Mas não há nenhuma definição em relação a isso. Nós temos essa disposição pela fidelidade que tivemos aos governos de Wagner e de Rui, pelo papel que temos em nível nacional, com uma bancada qualificada, que trabalhou muito nos governos Lula e Dilma, inclusive na defesa de Dilma no momento mais duro do ataque que ela sofreu. Agora, o nome, se isso der certo, nós definiremos depois. Por enquanto, vou levando esse mandato no qual espero estar fazendo o melhor no meu empenho para servir à Bahia.
 
Tribuna - A senhora acredita que o prefeito ACM Neto terá fôlego para sustentar uma candidatura em 2018?
 
Alice - Ele está se torcendo. Evidentemente o DEM todo está se preparando para essa possível recepção de um prêmio, que seria a interinidade de Rodrigo Maia na presidência da República. É claro que isso acontecendo ele estará mais fortalecido para essa investida. Mas pode vir com Rodrigo Maia, com qualquer um, porque ele não ganha o governo do Estado pelo desempenho do governador Rui Costa.
 

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